Vol. 28 N.º Sup (2024): Edição Especial da Revista Científica Pensar Enfermagem
Resumos

A Influência da Passagem de Turno na Saúde Mental dos Enfermeiros: uma Revisão Scoping

Margarida Tomás
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa, Portugal.
Marisa Soares
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa, Portugal.
Joaquim Oliveira-Lopes
Centro de Investigação, Inovação e Desenvolvimento em Enfermagem de Lisboa (CIDNUR), Lisboa, Portugal.
Luís Sousa
Comprehensive Health Research Centre (CHRC), Évora, Portugal.
Vânia Martins
Comprehensive Health Research Centre (CHRC), Évora, Portugal.

Publicado 19-06-2025

Palavras-chave

  • Enfermagem,
  • Saúde Mental,
  • Transferência da Responsabilidade pelo Paciente,
  • Revisão

Como Citar

Tomás, M., Soares, M., Oliveira-Lopes, J., Sousa, L., & Martins, V. (2025). A Influência da Passagem de Turno na Saúde Mental dos Enfermeiros: uma Revisão Scoping. Pensar Enfermagem, 28(Sup), 37. https://doi.org/10.71861/pensarenf.v28iSup.373

Resumo

Introdução

A passagem de turno é indispensável na prática clínica, permeando diversos contextos de cuidados de saúde. É vital para assegurar a continuidade de cuidados envolvendo a transferência de informações precisas sobre o cliente, implicando a responsabilidade pela sua saúde. Porém, acreditar que este momento primordial da prática clínica de enfermagem é isento de implicações para a saúde mental dos enfermeiros é ingénuo.

Objetivo

Explorar e mapear as implicações da passagem de turno na saúde mental dos enfermeiros.

Métodos

Metodologia JBI1 e Checklist PRISMA ScR.2 Bases de dados pesquisadas: CINAHL Ultimate, MEDLINE Ultimate, MedicLatina e Scopus. Literatura cinzenta incluiu: Google Scholar e RCAAP.

Resultados

Identificámos 11 estudos publicados entre 1988 e 2022, no Reino Unido, Austrália, EUA, Coreia do Sul e Hong Kong, envolvendo mais de 122 enfermeiros em contextos de cuidados agudos. Os resultados revelam três temas: fonte de desconforto psicológico, recurso de coping e apoio e coesão entre pares. Emoções negativas como stress, ansiedade, insatisfação e tensão estão associadas às passagens de turno, especialmente as realizadas à cabeceira, que levantam questões de confidencialidade e induzem escrutínio entre os enfermeiros. A falta de formação padronizada e de procedimentos consistentes também contribui para o stress, especialmente para os enfermeiros recém-formados e com menos experiência.3 Em contrapartida, as passagens de turno funcionam como rituais estruturados que proporcionam apoio entre pares e uma sensação de controlo, ajudando os enfermeiros a lidar com as exigências psicológicas.

Conclusão

Esta revisão destaca a relevância das passagens de turno no apoio à saúde mental dos enfermeiros e a necessidade de práticas padronizadas para melhorar o bem-estar dos profissionais e a qualidade dos cuidados. Investigação futura deve avaliar o impacto de diferentes práticas de passagem de turno na saúde mental dos enfermeiros e explorar as suas funções de apoio, sociais, protetoras e restauradoras.

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